Opiniões, idéias, pensamentos e coisa e tal...

quarta-feira, maio 24, 2006

O Brasil de verde-amarelo

Fico impressionado em ver o Brasil vestido de verde-amarelo. São centenas de bandeiras, faixas, camisas. Campanhas publicitárias têm que mostrar bola, falar em copa ou futebol, para que tenham sucesso. É tudo muito bonito, é certo, mas é algo ilógico e totalmente desproporcional.

Que peso tem a copa do mundo para o Brasil ou em nossas vidas? Alguém poderia até responder: É a nação brasileira que está ali. É a nossa bandeira para o mundo. De certa forma até concordo, porém, perguntaria: E os jogos olímpicos? As olimpíadas sim, refletem a força, o potencial esportivo de um país. Quão seriamente o esporte e a educação são tratados por uma nação pode ser medido ali. Olimpicamente falando, somos um fracasso. Outro desavisado poderia dizer: Somos o país do futebol. Vejo uma certa incoerência em intitular assim um país que não consegue segurar seus melhores craques, que tem a virada de mesa como regra número um de campeonatos, de uma violência estarrecedora nos campos, de dirigentes corruptos...

Torcer com todo fanatismo para o Brasil é querer mostrar para nós mesmos e para o mundo que somos bons, ou os melhores, diante a impossibilidade de mostrar que somos bons para construir um país rico e justo. Mas talvez um Brasil rico não produzisse tantos craques. Os jovens trocariam o campo pela faculdade e a bola por um livro.

segunda-feira, maio 22, 2006

Uma opinão sobre Israel

Dentre as várias constatações que pude obter na minha viagem para o Oriente Médio, uma já era esperada: O estado de Israel é uma aberração geopolítica. Israel poderia estar em alguns lugares do mundo, na Europa, na América do Norte, menos ali. A cultura hebraica é totalmente dissonante em um mar de cultura e costumes árabes. Jerusalém, por exemplo, é uma cidade árabe. A dominação israelense daquele fantástico lugar é algo comparado a um estupro, deplorável e nojento, algo imposto pela força. A ganância, hipocrisia e crueldade de parte do povo judeu, que motiva está triste realidade, para mim não é surpresa. O mundo civilizado aceitar tal situação é uma vergonha.

quarta-feira, maio 17, 2006

O jeito árabe de viver

É uma experiência e tanto constatar que no mundo há modos de vida diferentes do nosso. Vivenciar um outro paradigma de civilização é algo surpreendente. Outros costumes, outras religiões, outras ambições, outras formas de encarar a vida.
A vida dentro de um único contexto nos impõe padrões a serem seguidos. Achamos que esses padrões são inquestionáveis e irretocáveis. E o que é pior, colocamo-nos na posição de criticar tudo e todos que estão contra as nossas verdades, ou falsas verdades. Esse condicionamento ao ambiente que nos circunda, pode parecer muito natural, mas é nocivo para que possamos entender nosso mundo de maneira abrangente e livre de conceitos equivocados.

O nosso mundo é o do capital, produto de um modelo capitalista liberal que ainda não mostrou muita coisa para a humanidade além de falsos valores. Nossas ambições são na grande maioria norteadas por conquistas matérias. Estar motivado é simplesmente estar apto a jogar um jogo onde o objetivo é sempre ter mais e mais. Vivemos a constante e insaciável busca de estar procurando algo que nem sabemos o que é, nem para que serve, mas buscamos. A nossa frustração é não ter aquilo que nos disseram que deveríamos ter. Esse é nosso mundo.

No mundo árabe os valores são outros. Tomemos como exemplo o Egito. É um país pobre, assim como Brasil. Tem lá suas desigualdades, mas não chega a ser uma aberração. A questão que o Egito não se frustra por sua condição sócio-econômica. É pobre, e daí? Não estar arraigado aos padrões ocidentais não gera frustração alguma em ser pobre. Assim é o povo árabe, povo de fé, honesto, de bem com a vida, e com muito respeito ao próximo. Parece paradoxal a idéia que a sociedade mulçumana respeite o próximo mais que uma sociedade cristã (ou que se julga cristã), mas é o que ocorre.

Se não tirarmos a venda dos olhos que não nos permite enxergar além da América do Norte ou Europa, teremos sempre o Oriente Médio como terra de fracassados, homens-bomba e retrocesso social. Nosso grande compositor Villa-Lobos dizia: se considerarmos as civilizações indígenas brasileiras sobre aspectos econômicos, não há nada que possam nos ensinar. Porém, se as virmos sobre o convívio social e familiar, temos muito que aprender. O mundo árabe tem muito que nos ensinar.

terça-feira, maio 16, 2006

Brasil, país de bandidos

É estarrecedor constatar que nosso país é um país de bandidos. Eles estão por todas as partes, não somente nas ruas, favelas, presídios, mas nas instituições públicas, senado, congresso, assembléias, sindicatos, igrejas, tribunais, prefeituras... Estão em todas as camadas sociais, são de todas as religiões e credos, profissões, etnias...de todas as idades. O brasileiro tem tendência natural ao crime, à contravenção. Por que o brasileiro é assim, desonesto, senão corrupto, corruptível? De onde vem essa sua natureza de pensar que a desonestidade e o banditismo são quase sempre a melhores alternativas?

Muito se fala de injustiça social. Balela, pura tolice. Parece até discurso de esquerdista ultrapassado estilo Heloísa Helena. Pode até contribuir, mas não é efetivamente a causa. Insistir em dar um peso desproporcional às mazelas sociais para a questão da violência, é algo bastante simplório para uma questão de causas muito abrangentes e complexas. É certo que o fosso social no Brasil é algo ímpar no mundo. Não há neste planeta uma estratificação social tão desigual e injusta quanto a nossa. Porém, se esse fosse o principal motivo, o que dizer de países como Egito, Índia, entre muitos outros, de população miserável, mas digna, onde não há violência urbana? Alguns dizem: é porque são culturas diferentes. Ótimo, concordo. Assim, nosso problema maior não é o social, mas o cultural. Razão bem mais plausível.

Nesse contexto de violência que vive o brasileiro, o combate preventivo e reativo ao crime é imprescindível, mas buscar as raízes da violência, à luz da sensatez, é fundamental. Isso fará que tenhamos soluções verdadeiramente efetivas.

quinta-feira, maio 11, 2006

O Imbróglio da Serra da Capivara

É grande a falta de conhecimento daqueles que, em apoio a Niede Guidon, criticam a posição austera do governador para rechaçar as críticas proferidas pela arqueóloga no programa Fantástico. Esta senhora se julga proprietária do enorme tesouro que é a serra da Capivara, guardiã insubstituível e detentora das verdades absolutas. Achar que a Serra da Capivara é Niede Guidon é atribuir muito pouco ao nosso grande legado ecológico e pré-histórico. Acho que o tom firme e contundente do governador foi muito brando para alguém que já ameaçou cortar as pedras com as inscrições rupestres para que fossem levadas para museus no exterior. Quem conhece a doutora Niede Guidon sabe bem de sua arrogância, intransigência e chantagens.

quarta-feira, maio 10, 2006

Piauí de luto

Acordei hoje com a triste notícia do falecimento do professor Marcílio. Se "o homem é eterno quando seu trabalho permanece", o professor Marcílio obteve a eternidade. Tentar avaliar o legado que este homem deixou para a nossa sociedade é tentar mensurar o imensurável.