O Brasil de verde-amarelo
Fico impressionado em ver o Brasil vestido de verde-amarelo. São centenas de bandeiras, faixas, camisas. Campanhas publicitárias têm que mostrar bola, falar em copa ou futebol, para que tenham sucesso. É tudo muito bonito, é certo, mas é algo ilógico e totalmente desproporcional.Que peso tem a copa do mundo para o Brasil ou em nossas vidas? Alguém poderia até responder: É a nação brasileira que está ali. É a nossa bandeira para o mundo. De certa forma até concordo, porém, perguntaria: E os jogos olímpicos? As olimpíadas sim, refletem a força, o potencial esportivo de um país. Quão seriamente o esporte e a educação são tratados por uma nação pode ser medido ali. Olimpicamente falando, somos um fracasso. Outro desavisado poderia dizer: Somos o país do futebol. Vejo uma certa incoerência em intitular assim um país que não consegue segurar seus melhores craques, que tem a virada de mesa como regra número um de campeonatos, de uma violência estarrecedora nos campos, de dirigentes corruptos...
Torcer com todo fanatismo para o Brasil é querer mostrar para nós mesmos e para o mundo que somos bons, ou os melhores, diante a impossibilidade de mostrar que somos bons para construir um país rico e justo. Mas talvez um Brasil rico não produzisse tantos craques. Os jovens trocariam o campo pela faculdade e a bola por um livro.
Dentre as várias constatações que pude obter na minha viagem para o Oriente Médio, uma já era esperada: O estado de Israel é uma aberração geopolítica. Israel poderia estar em alguns lugares do mundo, na Europa, na América do Norte, menos ali. A cultura hebraica é totalmente dissonante em um mar de cultura e costumes árabes. Jerusalém, por exemplo, é uma cidade árabe. A dominação israelense daquele fantástico lugar é algo comparado a um estupro, deplorável e nojento, algo imposto pela força. A ganância, hipocrisia e crueldade de parte do povo judeu, que motiva está triste realidade, para mim não é surpresa. O mundo civilizado aceitar tal situação é uma vergonha.
É uma experiência e tanto constatar que no mundo há modos de vida diferentes do nosso. Vivenciar um outro paradigma de civilização é algo surpreendente. Outros costumes, outras religiões, outras ambições, outras formas de encarar a vida. A vida dentro de um único contexto nos impõe padrões a serem seguidos. Achamos que esses padrões são inquestionáveis e irretocáveis. E o que é pior, colocamo-nos na posição de criticar tudo e todos que estão contra as nossas verdades, ou falsas verdades. Esse condicionamento ao ambiente que nos circunda, pode parecer muito natural, mas é nocivo para que possamos entender nosso mundo de maneira abrangente e livre de conceitos equivocados.
