A revolução silenciosa
Revolução é uma palavra forte. Remete-nos quase sempre a mudança, ruptura, incerteza... A humanidade já vivenciou algumas revoluções. Muitas delas alteraram radicalmente o curso da história e a formação das civilizações. Revoluções já fazem parte do cotidiano histórico. Ocorrem e sempre ocorrerão. São fundamentais. Representam muitas vezes passos da evolução da nossa espécie. E em algumas vezes, a nossa própria sobrevivência.
O matemático Malthus, em uma época distante, dizia que o crescimento geométrico da população humana, em contraste com o crescimento aritmético da produção de alimentos, levaria a humanidade a um terrível colapso. A revolução industrial mostrou que ele estava errado. Revoluções são assim, alteram o curso natural das coisas. Rompem com qualquer determinismo ou lógica capaz de projetar o tempo futuro.
Diferentemente do que alguns pensam, uma revolução não ocorre do dia para a noite. E muitas vezes passa até despercebida, e só a história a ratifica. Talvez, isso esteja ocorrendo agora. Muitos não percebem, mas estamos no meio de uma revolução. A história mostrará isso. A essa revolução, podemos chamar de revolução da informação, no sentido mais amplo da palavra, que assim como a comercial ou a industrial, ocorridas outrora, vem alterar profundamente o rumo do nosso mundo: valores econômicos, comportamentos, culturas, comércios, tecnologias...
Essa revolução está ocorrendo em várias esferas e de forma muito intensa. Nunca foi tão fácil se ter acesso à informação, comunicar-se, falar, ouvir e ser ouvido. Os meios são muitos. As fontes de conhecimento são quase inesgotáveis. Tudo vem se tornando muito dinâmico.
A Internet provê um meio pelo qual conversamos, pesquisamos, compramos, expomos nossas idéias, conhecemos pessoas... A TV digital, prestes a chegar este ano em nossas casas, trará um leque muito maior de possibilidades de entretenimento, informação, e além do mais, será interativa e de alta qualidade. A telefonia celular, que avança a passos gigantes, traz novidades a cada dia, provendo grande mobilidade e disponibilidade à comunicação. Sistemas modernos apresentam imagens via satélite tornando o mundo acessível ao tocar de um mouse. Comunidades virtuais são criadas a cada dia. Idéias são expostas em blogs aos milhares, e sem censura. A evolução tecnológica azeita a revolução da informação. E muita coisa ainda está por vir.
O que o mundo ganha e perde com tudo isso? É uma incógnita. Qualquer previsão é mero achismo. Este novo mundo é algo como uma corrida ao ouro em um mundo selvagem, muitas possibilidades, medos, esperanças, poucas regras... uma nova ordem. Para aqueles que têm acesso a esse “maravilhoso” mundo novo, os ganhos são sensíveis. Para os excluídos, por opção ou não, resta apenas a amarga marginalização em um novo universo de muitas e novas possibilidades.

