Opiniões, idéias, pensamentos e coisa e tal...

sexta-feira, junho 23, 2006

A revolução silenciosa

Revolução é uma palavra forte. Remete-nos quase sempre a mudança, ruptura, incerteza... A humanidade já vivenciou algumas revoluções. Muitas delas alteraram radicalmente o curso da história e a formação das civilizações. Revoluções já fazem parte do cotidiano histórico. Ocorrem e sempre ocorrerão. São fundamentais. Representam muitas vezes passos da evolução da nossa espécie. E em algumas vezes, a nossa própria sobrevivência.

O matemático Malthus, em uma época distante, dizia que o crescimento geométrico da população humana, em contraste com o crescimento aritmético da produção de alimentos, levaria a humanidade a um terrível colapso. A revolução industrial mostrou que ele estava errado. Revoluções são assim, alteram o curso natural das coisas. Rompem com qualquer determinismo ou lógica capaz de projetar o tempo futuro.

Diferentemente do que alguns pensam, uma revolução não ocorre do dia para a noite. E muitas vezes passa até despercebida, e só a história a ratifica. Talvez, isso esteja ocorrendo agora. Muitos não percebem, mas estamos no meio de uma revolução. A história mostrará isso. A essa revolução, podemos chamar de revolução da informação, no sentido mais amplo da palavra, que assim como a comercial ou a industrial, ocorridas outrora, vem alterar profundamente o rumo do nosso mundo: valores econômicos, comportamentos, culturas, comércios, tecnologias...

Essa revolução está ocorrendo em várias esferas e de forma muito intensa. Nunca foi tão fácil se ter acesso à informação, comunicar-se, falar, ouvir e ser ouvido. Os meios são muitos. As fontes de conhecimento são quase inesgotáveis. Tudo vem se tornando muito dinâmico.

A Internet provê um meio pelo qual conversamos, pesquisamos, compramos, expomos nossas idéias, conhecemos pessoas... A TV digital, prestes a chegar este ano em nossas casas, trará um leque muito maior de possibilidades de entretenimento, informação, e além do mais, será interativa e de alta qualidade. A telefonia celular, que avança a passos gigantes, traz novidades a cada dia, provendo grande mobilidade e disponibilidade à comunicação. Sistemas modernos apresentam imagens via satélite tornando o mundo acessível ao tocar de um mouse. Comunidades virtuais são criadas a cada dia. Idéias são expostas em blogs aos milhares, e sem censura. A evolução tecnológica azeita a revolução da informação. E muita coisa ainda está por vir.

O que o mundo ganha e perde com tudo isso? É uma incógnita. Qualquer previsão é mero achismo. Este novo mundo é algo como uma corrida ao ouro em um mundo selvagem, muitas possibilidades, medos, esperanças, poucas regras... uma nova ordem. Para aqueles que têm acesso a esse “maravilhoso” mundo novo, os ganhos são sensíveis. Para os excluídos, por opção ou não, resta apenas a amarga marginalização em um novo universo de muitas e novas possibilidades.

quarta-feira, junho 07, 2006

Nosso capitalismo capenga

Não sou fã do capitalismo. Muito pelo contrário. Acho que o capitalismo é responsável por grande parte das nossas desgraças. A violência, a miséria, as desigualdades, talvez tenham seus alicerces nesse sistema. A questão é como encontrar uma alternativa ao capitalismo que possa ser efetivamente viável para o desenvolvimento de alguma nação. O certo é que não há opções nem espaços para invencionices tolas. Países que tentaram romper com práticas capitalistas foram duramente penalizados por enveredarem pela contra-mão da história.

Não há opção alguma senão jogar de acordo com as regras que já estão bem definidas. Estas regras são claras. A possibilidade de quebrá-las só existe nos discursos da esquerda histérica e ultrapassada. Não há alternativa para aspirantes ao desenvolvimento senão seguir o modelo do capitalismo liberal e crescer e crescer economicamente. E é nesse contexto que o Brasil está fazendo muita coisa errada, para não dizer tudo. Assume o caráter de neoliberal, mas não a postura. A aposta em meios de produção que não geram valor agregado é um grande erro estratégico. Enquanto um quilo de soja vale cinqüenta centavos de dólar, um quilo de satélite vale cinqüenta milhões de dólares. Não exportamos satélite. Plantamos soja. Isso se dá por não termos a ousadia de ousar. A produção tecnológica aqui está em segundo, terceiro, quarto... plano.

Estamos engessados em um sistema político burocrático, que pode até servir para alguma coisa, mas não serve para nos fazer crescer. A sociedade inerte, que com alguma razão, alega que a culpa é do estado, não faz sua parte. O jovem brasileiro, com todo o seu potencial intelectual e produtivo, tem seu esforço concentrado na meta de passar em um concurso público, ao invés de direcioná-lo para projetos tecnológicos. A violência urbana e a corrupção amedrontam investimentos estrangeiros. Enfim, são muitos contratempos rumo ao exercício do capitalismo que nos levaria a um íngreme desenvolvimento econômico. O caminho até lá é longo e sinuoso, porém está sendo desbravado por países como a China, Índia e México, que a cada dia, ganham notoriedade por suas cartadas certas nesse jogo econômico global. E ao Brasil, ao invés do aprendizado, resta apenas a frustração. O velho gigante adormecido parece nunca despertar de sua longa hibernação.