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quarta-feira, agosto 22, 2007

O Piauí e a Philips

Depois de muito tempo distante deste blog, resolvo sair da moita para externar minha opinião sobre o recente e polêmico fato que mexeu com a auto-estima de nós piauienses, as declarações do diretor da poderosa Philips de que “se o Piauí não existisse ninguém ficaria chateado”. Foram manifestações das mais variadas, desde rebeldes sem causa quebrando televisores em praça pública a repúdio formal do governador do estado. Sem falar de jornalistas, que se manifestaram seus protestos de forma uníssona, a OAB recomendando ações judiciais, e até o maior empresário do estado suspendendo compras da famosa marca. Tudo isso merece uma análise detalhada e algumas conclusões criteriosas.

Apesar das declarações acerca do nosso estado tenham fortes indícios de preconceito e ignorância, antes de qualquer reação tola e descabida, deveríamos refletir sobre elas. A partir daí, poderíamos encontrar algumas verdades que o nosso ufanismo exacerbado não nos permite enxergar. Verdades que podem ser duras, mas essenciais. Algo como: somos inexpressivos sim.

O nosso PIB é de 0,2% do PIB nacional. O que falar de nossas indústrias, da produção científica de nossas faculdades, da nossa “elite” de jornalistas, dos nossos representantes esportivos? Um desinformado diria: temos a melhor escola do País. Ótimo, mas temos as piores, o que evidencia a crueldade das desigualdades. Temos o Delta e a Serra da Capivara. Certo, juntamente com a incompetência de explorar nossas riquezas naturais. Tivemos Petrônio Portela, grande estadista, mas hoje temos uma trupe de políticos que nem vale a pena citar. Reconhecer nossa inexpressividade em um mundo global e competitivo seria o primeiro passo para reverter tão calamitosa situação.

Pergunto aos Piauienses: E se Serra Leoa deixasse de existir, ficaríamos chateados? Creio que não. Em primeiro lugar, poucos sabem onde fica Serra Leoa, ou ao menos se “isso” existe. Já os mais dotados de conhecimentos diriam que a inexpressividade de Serra Leoa para o mundo faz deste país uma nação irrelevante. Então, como piauiense, imitando o “nobre” Paulo Zottolo, imploro: não sejamos uma Serra Leoa, esquecida no coração da África com um cruel IDH (índice de desenvolvimento humano). E torço para que os leoneses, em uma reação “a la Piauí”, não venham até aqui cortar meus braços como faziam com seus inimigos tribais há pouco tempo. Acho que não. Eles reconhecem seus problemas, suas debilidades e suas mazelas sociais.