Guerra e Opressão
Falar em guerra é falar de insensatez, algo estúpido, que rompe os limites da racionalidade. Porém, sinto saudade das guerras. Não que tenha vivido ou acompanhado alguma para sentir saudade. Na verdade, sinto falta das iminências e das ameaças de guerras, ou de um passado que de certa forma nunca vivi.
A guerra apresenta à humanidade preciosas circunstâncias e fatos. Há muitos sentimentos que só a guerra evidencia em toda sua pureza. Lá os antagonismos se alargam, amor e ódio, medo e coragem, covardia e bravura, conflito e paz... A bravura, a agonia, a estupidez, o ódio, a dor, precisam desse pano de fundo para realçar suas mais elevadas magnitude e contundência – a bravura de um soldado na linha de fogo, a agonia do inimigo capturado, a estupidez do carrasco... É muito oportuno quando se fala diante uma grande desgraça: na guerra é pior. Concordo. Na guerra é bem pior. Muito pior.
Mas por que a saudade das guerras, iminências de guerras, sentimentos da guerra? Simples, hoje não há mais guerras, nem iminências. O que não significa que se viva em um mundo de paz. Muito pelo contrário. Para que haja guerra, há a necessidade evidente de equilíbrio de forças. “Se queres paz, prepara-te para a guerra”. Muitos são os que não estão preparados para a paz por não estarem preparados para a guerra. Pouquíssimos são os que estão preparados.
Apesar de ter vários acessórios de uma guerra, o que ocorreu no Golfo, nos anos 90, no Iraque recentemente, no Afeganistão, na faixa de Gaza nesses dias, não é suficiente para preencher a lacuna histórica carente por guerras. Tudo isso não é guerra. É opressão, no seu estado mais nocivo e cruel. Como já falei, guerra requer equilíbrio de forças, ou, no mínimo temor mútuo entre as partes. Quando a manifestação da força é unilateral, temos pura e simplesmente a opressão, mais desumana e hipócrita.
Governos opressores não querem guerra, nem ameaças. Querem exercer o papel de opressores sem maiores infortúnios. Rechaçam qualquer possibilidade de fortalecimento do provável oponente. Impedir que países como a Coréia do Norte ou Irã façam parte do grupo de detentores de armas nucleares, em primeiro momento, parece bem sensato, caso outras nações, como Israel, que possui mais de vinte ogivas nucleares, fossem submetidas às mesmas regras. Infelizmente, a opressão persistirá, sem contratempos, sem guerra.


