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quinta-feira, julho 13, 2006

Guerra e Opressão

Falar em guerra é falar de insensatez, algo estúpido, que rompe os limites da racionalidade. Porém, sinto saudade das guerras. Não que tenha vivido ou acompanhado alguma para sentir saudade. Na verdade, sinto falta das iminências e das ameaças de guerras, ou de um passado que de certa forma nunca vivi.

A guerra apresenta à humanidade preciosas circunstâncias e fatos. Há muitos sentimentos que só a guerra evidencia em toda sua pureza. Lá os antagonismos se alargam, amor e ódio, medo e coragem, covardia e bravura, conflito e paz... A bravura, a agonia, a estupidez, o ódio, a dor, precisam desse pano de fundo para realçar suas mais elevadas magnitude e contundência – a bravura de um soldado na linha de fogo, a agonia do inimigo capturado, a estupidez do carrasco... É muito oportuno quando se fala diante uma grande desgraça: na guerra é pior. Concordo. Na guerra é bem pior. Muito pior.

Mas por que a saudade das guerras, iminências de guerras, sentimentos da guerra? Simples, hoje não há mais guerras, nem iminências. O que não significa que se viva em um mundo de paz. Muito pelo contrário. Para que haja guerra, há a necessidade evidente de equilíbrio de forças. “Se queres paz, prepara-te para a guerra”. Muitos são os que não estão preparados para a paz por não estarem preparados para a guerra. Pouquíssimos são os que estão preparados.

Apesar de ter vários acessórios de uma guerra, o que ocorreu no Golfo, nos anos 90, no Iraque recentemente, no Afeganistão, na faixa de Gaza nesses dias, não é suficiente para preencher a lacuna histórica carente por guerras. Tudo isso não é guerra. É opressão, no seu estado mais nocivo e cruel. Como já falei, guerra requer equilíbrio de forças, ou, no mínimo temor mútuo entre as partes. Quando a manifestação da força é unilateral, temos pura e simplesmente a opressão, mais desumana e hipócrita.

Governos opressores não querem guerra, nem ameaças. Querem exercer o papel de opressores sem maiores infortúnios. Rechaçam qualquer possibilidade de fortalecimento do provável oponente. Impedir que países como a Coréia do Norte ou Irã façam parte do grupo de detentores de armas nucleares, em primeiro momento, parece bem sensato, caso outras nações, como Israel, que possui mais de vinte ogivas nucleares, fossem submetidas às mesmas regras. Infelizmente, a opressão persistirá, sem contratempos, sem guerra.

sexta-feira, julho 07, 2006

Afirmação infeliz de um repórter na Alemanha

Recentemente assistia a um noticiário da Globo, quando o repórter esportivo Tino Marcos falava diretamente de Dachau, o primeiro campo de concentração nazista. Entre um e outro apelo emocional, disse que na câmara de gás daquele campo haviam morrido milhares de judeus. Não é verdade. O conhecido repórter estava totalmente equivocado. A câmara de gás de Dachau não foi utilizada para fins homicidas. Eu estive lá dentro e fotografei a placa com essa informação, que estava escrita em inglês e alemão. Esse meu relato pode parecer insignificante e inoportuno, porém mostra quão equivocado podem ser relatos históricos. E quão irresponsável podem ser aqueles encarregados de apresentá-los. Pior que a desinformação é a informação errada.

Aproveito para lembrar da minha emocionante experiência em Dachau. É um tanto perturbador ver o que já foi palco dos maiores atos da estupidez humana, deparar-se com fornos crematórios, alojamentos desumanos.

Admiro a Alemanha por permitir que seu passado seja esmiuçado, mesmo havendo muitos “Tinos Marcos” que se engalfinham pelo sensacionalismo, ou por ignorância ou irresponsabilidade.

Que bom seria se os americanos abrissem as prisões de Abu Graib, no Iraque, e Guatânamo, em Cuba, para visitas! Que bom seria se houvesse o museu do terror mostrando a barbárie dos exércitos israelenses na Cisjordânia, em Gaza... as crianças e mulheres mortas por eles em Sabra e Shatila!

De que adianta reviver o holocausto do passado? Quando, no presente, atos tão deploráveis são realizados por governos democratas, paladinos da “verdade” e representantes do eixo do “bem”?