
O presidente da Venezuela Hugo Chávez, eleito para seu segundo mandato, é uma figura emblemática, carismática, popular, amada, odiada... Não importa o adjetivo que melhor tentem representá-lo. Ele é merecedor de uma análise nem um pouco superficial.
É indubitável que Chávez a cada dia escreve seu nome na história daquele país, e que sua revolução, de conseqüências imprevisíveis, para alguns, desastrosas, e, para outros, salvadoras, está realmente acontecendo.
Para um brasileiro entender o fenômeno Chávez, à luz da verdade e sensatez, é um tanto complicado. Faltam informações. A nossa imprensa, com forte ranço de direita neoliberal, insiste em rotulá-lo de inconseqüente, populista, golpista e outros “istas”, ao invés de analisar os fatos conjuntural e imparcialmente. A tendenciosa e desacreditada revista Veja insiste em denegri-lo. O estranho é o fato de nunca ter dispensado similar trato para ditadores sanguinários da América Latina, cujos nomes nem vale a pena citar. E muitos outros ao redor do mundo, que poucos sabem da longevidade no poder.
Ter estado na Venezuela há três anos, serviu para eu constatar in loco a popularidade de Chávez. O que vi em Santa Helena de Uairen (cidade interiorana distante de Caracas) foi, além de gasolina a R$ 0,16 o litro, uma cidade pacífica, de estrutura razoável, crianças fardadas indo para escola e uma enorme admiração popular pelo seu presidente. Algo distante da “realidade” daquele país que é apresentada por nossa imprensa.
Longe de defender Chávez incondicionalmente, busco enxergar a ponta da raiz para tanto poder popular. Creio que seja a mesma que criou Evo Morales na Bolívia, Rafael Correa no Equador, Ortega na Nicarágua, e, de certa forma Lula no Brasil. Parece que a tão defendida democracia da messiânica doutrina George Bush está sendo entendida pelas massas latino-americanas, cansadas de discursos vazios e resultados poucos efetivos nas suas vidas, nas suas casas, nos seus pratos. Descobriram o voto como instrumento de poder para reclamar o que lhes pertence, e estão elegendo verdadeiros representantes populares. Tomara que a doutrina Bush não venha nos dizer mais adiante que a democracia não é mais o melhor caminho para uma nação soberana e, sobretudo, com dignidade para seu povo.